História

Fim de tarde com broinha mineira em Tiradentes

Pouca coisa é mais simbólica para a cultura gastronômica mineira do que o cenário de um entardecer em um sítio, com um café recém passado e uma broinha assada na hora. Muita gente que imagina essa cena consegue, inclusive, buscar nas memórias afetivas os aromas das duas delícias.

Talvez seja por isso mesmo que o fim da tarde de sábado, dia 1º de setembro, no Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes tenha sido embalado justamente por uma aula de uma receita que vive no imaginário de qualquer um que já a experimentou: a broinha mineira.

No Espaço Interativo, localizado na Praça Senac do Conhecimento, a chef Mariana Oliveira, do restaurante Roça Grande, em Belo Horizonte, fez muita gente — literalmente — colocar a mão na massa e aprender a fazer a broa de fubá de canjica. “É preciso colocar as mãos para trabalhar mesmo! O processo de fazer quitanda é algo muito sensorial, até mesmo para conferir as medidas da receita. É fundamental sentir a massa e experimentar durante o preparo”, conta a chef.

Enquanto os ingredientes eram misturados e a chef orientava cada participante, o estilo de cozinha familiar era transmitido no espaço. “Essa é a cozinha que eu trabalho, a que compartilha. Ver famílias participando, cozinhando juntas e se reconhecendo nessa cozinha é emocionante”, diz Mariana.

E a chef tem razão: crianças, jovens, adultos e idosos dividiram dúvidas e dicas no mesmo espaço enquanto o sol caía em Tiradentes. É o caso da pequena Yasmin Grobério, de 11 anos. Apaixonada por culinária. Essa foi a primeira vez em que ela recebeu de perto as dicas e instruções de uma chef de verdade. “Eu amo cozinhar mas essa é uma oportunidade única! Estou aprendendo e anotando todos as palavras que a chef usa e eu nem conhecia”, conta a menina.

Na mesma bancada de Yasmin estava Maria Aparecida Machado, de Campinas, no interior de São Paulo, e que confidenciou um segredo à equipe do Fartura. “Eu tento fazer essa receita há muitos anos e sempre dá algo errado. Hoje, pela primeira vez, deu certo”, disse Maria, que afirma que o erro estava na quantidade de ingredientes que colocava durante o preparo.

 

Respeito com os ingredientes

Os ingredientes, aliás, foram pontos importantes durante a aula no Espaço Interativo. Antes de introduzir cada um deles na massa da broinha mineira, a chef Mariana Oliveira fez questão de explicar a importância de saber a procedência dos itens utilizados e da valorização do produtor que o fornece. “Essa é minha filosofia como cozinheira. Eu cresci vendo os animais sendo tratados de forma muito bonita. A gente pode consumir queijo, ovos e até carne de forma consciente e não alimentar uma indústria que trata a vida como descartável”, defende a chef.

Para quem não pôde participar da aula, trouxemos a receita na íntegra com todas as dicas da chef Mariana para que você faça essa delícia na sua casa!

 

 

“É preciso colocar as mãos para trabalhar mesmo! O processo de fazer quitanda é algo muito sensorial (…)”

Aprenda a fazer a broinha mineira!

 

Ingredientes

4 ovos caipiras
1/2 copo americano de óleo
1 copo americano de água
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de café rasa de sal
350g de massa de queijo ou frescal
2 copos americanos de fubá de canjica

 

Modo de preparo

Misture todos os ingredientes líquidos. Depois, acrescente o açúcar e a massa de queijo. Só então, coloque o sal.
Aos poucos, acrescente o fubá de canjica a essa mistura até a massa adquirir uma consistência de papa. Enrole delicadamente e empane no fubá de canjica.
Leve ao forno alto por aproximadamente 18 minutos. Depois, em forno baixo, por mais 15 minutos.

 

 

Este texto foi produzido em setembro de 2018,
durante o 21° Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes.

galeria de fotos

Alunos na aula interativa

O tabuleiro de broinha indo pro forno

Broinha quentinha!

A chef Mariana Oliveira

Que tal?

A broinha...