receita

MASSA NA PANELA DE QUEIJO D'ALAGOA - MINAS GERAIS
GRAU DE DIFICULDADE:
Fácil
TEMPO DE PREPARO:
1 hora e 30 minutos
RENDIMENTO:
4 porções
CHEF:
Osvaldo Filho
REGIÃO:
Minas Gerais
TIPO DE PRATO:
massa
ingredientes

500 gramas de queijo d’Alagoa ralado
3 xícaras de chá de leite
3 colheres de sopa de manteiga
2 dentes de alho picados
½ xícara de chá de cebola ralada
3 colheres de sopa de farinha de trigo
Sal a gosto
500 gramas de massa longa de sua preferência (sugestão: fettuccine)

modo de preparo

1 Em uma panela aquecida, refogue o alho e a cebola na manteiga. Junte a farinha e misture com a ajuda de um fouet para não empelotar;
2 Vá colocando o leite aos poucos, mexendo sempre para obter um molho liso e homogêneo. Acerte o sal --mas não salgue muito, pois a quantidade de queijo salgado na receita é grande;
3 Cozinhe a massa até que fique al dente. Coloque-a no molho e, em seguida, acrescente o queijo ralado. Mexa bem e sirva em seguida.

Dicas

-O queijo d’Alagoa é de origem da serra da Mantiqueira, em Minas Gerais
-Cada peça tem em torno de 5 kg. Essa receita costuma ser feita dentro do queijo, como se ele mesmo fosse a panela. Nesse caso, o preparo é indicado para um grande número de pessoas

História

Feito com apenas três ingredientes, queijo d’Alagoa tem sabor salgado e picante que lembra parmesão

 

Para produzir o mineiro queijo d’Alagoa são necessários apenas três ingredientes: leite, coalho e pingo –o soro do queijo do dia anterior. “E mais nada”, diz Osvaldo Filho, 32, parte de uma família de produtores de queijo.

O leite, vindo de pequenos sítios da zona rural de Alagoa, cidade de menos de 3.000 habitantes, é fervido num tanque até atingir uma temperatura entre 45 e 48 graus. Depois disso, o coalho e o pingo, um “fermento do queijo”, são adicionados. Então, mexe-se tudo até que se forme uma mistura grossa.

“A massa vai coalhar e ficar na parte de baixo, e o soro vai subir. O soro é retirado para ser misturado no queijo do dia seguinte, e essa massa vai ser cortada na mão e colocada direto nas formas”, conta Osvaldo.

Se produzido pela manhã, o queijo é prensado dos dois lados à tarde. No dia seguinte, é levado para a salmoura, onde fica mergulhado numa banheira com água e sal fino de dois a três dias. Por fim, os queijos são levados para câmaras frias, onde maturam por períodos de sete dias a um ano.

Quando consumido praticamente fresco, com maturação de sete a dez dias, seu gosto é levemente salgado e picante –sabores que se acentuam com o passar do tempo. No paladar, assemelha ao parmesão, mas Osvaldo ressalta que cada queijo é um queijo.

“A diferença é que o parmesão é feito com leite pasteurizado, deve ser maturado com no mínimo seis meses e utiliza-se urucum para dar cor. O nosso, por outro lado, usa leite cru, não tem urucum –a cor é natural– e a maturação pode ser feita com menos dias”, explica.

Sete anos atrás, ao ouvir queixas de um produtor sobre a baixa venda dos queijos, Osvaldo iniciou um movimento para comercializar os produtos pela internet. Hoje, é o principal divulgador do produto na região, trabalhando com produtores parceiros e maturando os queijos para deixá-los “afinados” para a venda.

A economia da cidade gira em torno do queijo, comprado principalmente por gente de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Amazonas. O transporte do leite ainda é rudimentar, feito por carroças e animais que carregam latões de alumínio ou plástico lotados de leite fresco. “A gente vê nas ruas, nas estradinhas de terra, que sempre tem cavalo, burro, carregando leite. Isso ainda é preservado aqui.”

O que torna o queijo d’Alagoa especial, brinca Osvaldo, é o “tremruá” –toque mineiro dado ao termo francês terroir. Ele explica: o pasto que a vaca come e a água que ela bebe, por exemplo, são fatores que conferem singularidade ao leite produzido e, consequentemente, ao queijo. “O clima interfere na maturação, altera o sabor do queijo. Ele é ímpar, singular, único. É o queijo d’Alagoa.”

“A diferença é que o parmesão é feito com leite pasteurizado, deve ser maturado com no mínimo seis meses e utiliza-se urucum para dar cor. O nosso, por outro lado, usa leite cru, não tem urucum --a cor é natural-- e a maturação pode ser feita com menos dias”

Queijo D’Alagoa
ONDE rua José Luís de Siqueira, 352, Centro, Alagoa, Minas Gerais, tel. (35) 99828-0359
www.queijodalagoa.com.br

galeria de fotos

Detalhe dos queijos mergulhados na salmoura. foto Leandro Miranda

Funcionário despeja o leite em tanque. foto Leandro Miranda

Funcionário prepara a massa do queijo para o corte. foto Leandro Miranda

Funcionários cortam a massa do queijo para colocar nas formas. foto Leandro Miranda

Produtor carrega latões de alumínio em cavalos. foto Leandro Miranda

Produtor entrega o leite para a produção do queijo. foto Leandro Miranda

Produtor retira latões de alumínio e plástico do lombo do cavalo. foto Leandro Miranda

Queijos na salmoura. foto Leandro Miranda

Tanque com a massa do queijo começando a se formar. foto Leandro Miranda

Queijos curados. foto Leandro Miranda