receita

FAROFA DE IÇÁ - SÃO PAULO
GRAU DE DIFICULDADE:
Fácil
TEMPO DE PREPARO:
30 minutos
RENDIMENTO:
4 porções
CHEF:
Ocílio Ferraz
REGIÃO:
São Paulo
TIPO DE PRATO:
farofa, guarnição
ingredientes

4 colheres de sopa de banha
200 gramas de içá sem ferrão, asas e cabeça
1 colher de café de sal
½ xícara de chá de cebolinha picada
1 ½ xícara de chá de farinha de mandioca torrada
2 colheres de sopa de alho picado

modo de preparo

1 Coloque a banha em uma panela e espere derreter e aquecer. Acrescente as içás e frite-as por cerca de dois minutos;
2 Acrescente o alho e deixe dourar. Coloque o sal e a farinha;
3 Mexa bem, acrescente a cebolinha e desligue.

Dicas

• A formiga içá, também conhecida como tanajura, não é encontrada com facilidade em todas as regiões do país e, mesmo nas regiões onde há um maior consumo, não estão disponíveis durante todos os meses do ano. Essa receita deve ter uma programação prévia para ser preparada
• Caso você encontre as içás, pode congelá-las para quando quiser prepará-las

História

Vale do Paraíba preserva tradição indígena de comer formiga

 

Na pequena cidade de Silveiras, no vale do Paraíba, a tradição secular de comer formiga –o caviar dos pobres, nas palavras de Monteiro Lobato– persiste até hoje. Por lá, até hoje se come e se serve a farofa de içá.
É o caso do Restaurante do Ocílio, criado pelo pesquisador da culinária da região Ocílio Ferraz (1938-2016), em que a tal farofa é um dos destaques do cardápio. Ele recebeu a equipe da Expedição Fartura em 2016, e contou que comer formiga é um hábito alimentar herdado pelos índios. “Comemos formiga não por necessidade, e sim porque é gostosa e faz parte da nossa cultura.”
As içás, fêmeas das saúvas, deixam seus formigueiros em um curto período a cada ano, ao fim da primavera, logo após as primeiras chuvas da temporada. É quando os moradores de Silveira seguem para os morros que rodeiam a cidade para catar formiga –aproveitam a revoada de acasalamento das fêmeas.
Com as formigas capturadas, alguns cuidados devem ser tomados antes de levá-las ao prato: elas devem ser limpas e perder cabeça, ferrão, pernas e asas. “Na região inteira, todos param nessa época e vão atrás das içás. As crianças chegavam aqui com quilos e mais quilos de formigas limpinhas”, contou Ferraz.
Apesar da estreita janela de captura a cada ano, é possível comer içá em qualquer época: é só congelar. Para o cozinheiro e pesquisador, a melhor maneira de comê-la é misturada com farinha de mandioca. A farofa servida em seu restaurante tem preparo simples e é feita em uma pesada frigideira de ferro no fogão a lenha. “O sabor é único. Não tem nada parecido.”

"Comemos formiga não por necessidade, e sim porque é gostosa e faz parte da nossa cultura"

Restaurante do Ocílio
ONDE Fazenda do Tropeiro, s/n – Bairro do Ventura, Silveiras, São Paulo, tel. (12) 3106-1103
www.facebook.com/MateusGontijoGAraujo

galeria de fotos

Içás limpas

Ocílio Ferraz torra as içás em banha de porco

Içás em frigideira no fogão à lenha

Farofa de içá em preparo

Farofa de içá pronta

Içás limpas

Ocílio Ferraz em uma praça de Silveiras